segunda-feira, 13 de junho de 2011

O LATIM CONTINUA VIVO!!!

LATIM: UMA LÍNGUA MORTA? POR QUÊ?

Ouvir de alguns mestres da língua Portuguesa que a Língua Latina é uma língua morta, deixa-me apreensivo, não pelo fato de tê-los como “perseguidores” da importância que ela representa para todos nós, mas, sobretudo pela falta de reconhecimento a tudo aquilo que o Latim representa para o perfeito e mais profundo conhecimento morfológico, além do respeito por quem ainda é lembrado no nosso dia-a-dia.
Talvez os professores de Língua Portuguesa, preocupados com a importância de levar aos seus alunos conhecimentos necessários para os milhares de concursos públicos e vestibulares, não se tenham dado ao luxo de refletirem cuidadosamente sobre o verdadeiro estudo da nossa MORFOLOGIA, ou seja, do estudo da estrutura e formação das palavras.
Se fizermos uma pesquisa entre os mais dedicados alunos da nossa língua mater, talvez sejamos decepcionados em saber que eles desconhecem a origem, por exemplo, da palavra AGRICULTURA. Talvez não saibam eles que esta palavra é formada pelo prefixo latino AGRI, que significa campo, somado à palavra CULTURA = cultivo, ou seja, a palavra agricultura é o cultivo do campo.
Como pode uma língua estar morta, quando ela se faz presente em milhares de palavra, seja como PREFIXO, seja como SUFIXO? É fácil saber que a palavra FRATERNIDADE (do latim fraternitas, ou fraternitatis) é um substantivo, comum, feminino, singular; que ela é polissílaba, por ter mais de quatro sílabas e que é abstrata. Mas precisamos saber que ela é formada pelo prefixo FRATER (irmão) e que é originária do latim FRATERNITAS e que significa laço de parentesco entre irmãos.
Se recorrermos à Gramática Normativa da Língua Portuguesa, descobriremos que existem, pelo menos 42 radicais latinos e 60 prefixos latinos que, juntos, totalizam milhares de palavras, todas elas essenciais na formação de frases usadas nas mais diversas ocasiões. Isso sem levar em consideração os mais de 90 radicais gregos. Ou seja, a Língua Portuguesa não existiria sem a presença do Latim.
Para dar mais ênfase ao que temos colocado aqui, consideremos que “os sufixos da Língua Portuguesa possuem origem variada. Predominam, no entanto, os de origem grega ou latina,” Podemos ir mais além com a afirmativa de que “a grande maioria das palavras da Língua Portuguesa vem do LATIM, falado na Europa medieval e no antigo Império Romano, ou do grego antigo.”(veja o estudo da Morfologia).
E aí??? Diante do que vimos, como admitir que o Latim é uma língua morta? Qual a explicação lógica e convincente para esta afirmativa?
O que é, realmente, América Latina? Parece-nos que se trata de uma região da América onde são faladas primordialmente línguas românticas, ou seja, derivadas do LATIM, particularmente o Espanhol e o Português. Precisamos lembrar que a América Latina tem uma área aproximada de 21.069.501 km2, o que representa em torno de 3,9% da superfície terrestre. Vamos mais além na informação, mostrando que a América Latina tem uma população estimada em torno dos 569 milhões de habitantes.
Faz-se necessário lembrar que a América Latina envolve a América do Sul e Central, com algumas exceções, mas com uma totalidade de 20 países e 11 territórios, que ainda não conquistaram suas respectivas independências.
Somos um país neolatino? Se o somos, estamos inclusos no rol dos que se utilizam de um idioma proveniente daqueles que “se originaram a partir da evolução do Latim, especificamente do Latim Vulgar, falado pelas classes populares.” Fazemos parte, portanto, do grupo de países dependentes do Latim. Caminhamos lado a lado com o Espanhol, o Italiano, o Francês, o Romeno e o Catalão.
Mesmo assim, ainda é o Latim uma língua morta??? Precisamos rever esta tese defendida por estudiosos da Língua Portuguesa que, segundo os dados aqui citados, não condizem com uma realidade que está exposta para a reflexão de cada professor e de todos os estudantes interessados em conhecer melhor a sua língua.
Talvez seja esta uma missão impossível por ter que envolver um “universo” de interesses lingüísticos. Eu, no entanto, não fujo desta minha convicção: O LATIM ESTÁ VIVO e representa em muito a beleza do nosso idioma. Se quisermos “sepultar” o Latim, que criemos uma língua própria, eliminando todo e qualquer uso de prefixos e radicais latinos.
Isto não parece algo impossível, diante das muitas reformas feitas pelos “doutores” da língua (sem uma consulta popular), inclusive a mais recente que, de uma forma ou de outra, veio complicar a vida de quem já não via o nosso idioma como algo fácil de ser entendido e compreendido.
Se estar vivo é estar em evidência em determinados países, por que se imortalizam homens e fatos que só existem em nossas parcas lembranças? A Língua Latina será sempre imortalizada, a partir do momento em que se torna presente no nosso cotidiano.
Eu posso até estar sendo mal entendido. No entanto, de uma convicção eu não me afasto: a de que ao pronunciarmos palavras como HABEAS-CORPUS, PER CAPITA, ET CETERA (etc.), VEREDICTO (vere dictum), DURA LEX SED LEX (a lei é dura, mas é lei), LATUS CENSOS, VADEMECUM, DATA VENIA, entre milhares de outras usadas com muita freqüência, estamos provando que o Latim está vivo.
Só um pequeno lembrete: quando você pronunciar as palavras MÃE (mater), PAI (pater), FILHO (filius) e FAMÍLIA (família), fique sabendo que elas são todas derivadas do Latim. E mais ainda: se você tem uma religião, é porque os latinos criaram a palavra RELIGIO ou RELIGIONIS.
Depois de tudo isso e com tantas justificativas inquestionáveis, você deve concordar comigo, pelo menos em um ponto: somos um povo ingrato ao assassinarmos uma língua que nos deu o direito e o orgulho de sermos a “ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO, INCULTA E BELA” (livro “Poesias”), como disse muito bem o poeta parnasiano Olavo Bilac.
Concordem ou não, o Latim continua vivinho e sem ele a Língua Portuguesa deixaria de existir, ou não seria tão bela como parece. Aliás, nunca os doutores da língua se preocuparam em defender uma língua própria para nós os brasileiros que, num saudosismo profundo, continuamos sendo PORTUGUESES.
Tenho dito!

AGORA, QUE TAL UMAS AULAS DE LATIM?

LIÇÃO 01

ESTUDO DIRIGIDO DA LÍNGUA LATINA
PARTE INTRODUTÓRIA:
         Esta parte introdutória é apenas para que tenhamos um conhecimento básico da língua que vamos estudar.
          A língua latina remonta do século VII a.C., indo até o século V d.C. Vale salientar que, historicamente, o latim perdura do período que vai da fundação de Roma, em 753 a.C., até a queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C.
          O latim originou-se do “Latium”, uma região central da Itália, sendo falado pelos humildes pastores e por rústicos agricultores. Ele foi absorvendo os demais falares itálicos, chegando a tornar-se a língua nacional de todo o Império Romano, embora não chegasse a ser uma língua rigorosamente uniforme em todo o país.
          Historicamente, o latim, assim como todas, ou a maioria das línguas, tem a sua história. O chamado Período Proto-histórico, vai do século VII até 240 a.C., com o surgimento dos primeiros documentos da língua. O Período Arcaico vai de 240 a.C. até o ano 81 a.C., com o surgimento dos textos literários e os textos epigráficos.
          O Período Clássico começa no ano 81 a.C. e vai até o ano 17 p.C.. É o chamado Século de Cícero, quando a prosa atinge a sua perfeição com Cícero e Cesar. Esse período envolve ainda  o Século de Augusto, quando a poesia chega à sua perfeição com Vergílio, Horácio e Ovídio.
          Depois, vem o Período Pós-Clássico, que começa no ano 17 p.C. e vai até o século V. No século I e início do, século II, surgem numerosos poetas e prosadores. Mas eles não são originários da Itália. Já do século II até o século V, sente-se uma acentuada interferência da língua corrente, na língua literária.
•       Havia uma certa diferença na pronúncia entre o latim clássico e o latim vulgar:
•       O CLÁSSICO      O VULGAR
•       Álacrem                Alácre            >     Alegre
•       Cáthedram            Cathédra       >     Cadeira
•       Pónere                   Ponére          >     Pôr
•       Condúcere             Conducére    >     Conduzir
•       O Latim foi levado pelos romanos até a Península Ibérica, ou Hispânica. Nada se sabe sobre os povos que ali habitavam.
•       Sabe-se apenas que se tratavam de iberos, celtas, fenícios, gregos e cartagineses. Também se sabe que muitos séculos antes de Cristo, a Península era habitada pelos Iberos, um povo agrícola e pacífico.
•        A Península foi invadida, no século VI a.C., pelos Celtas, um povo turbulento e guerreiro. Ele se mesclaram com os Iberos, dando origem aos povos Celtiberos.
•        Os tempos passaram e os Fenícios, os Gregos e os Cartagineses estabeleceram colônias comerciais em vários pontos da Península.
•        As coisas mudaram quando os Cartagineses tentaram se apoderar  totalmente da Península, levando os Celtiberos a pedir socorro aos romanos que, no século III a.C., invadiram a Península.
•        Mas não foi o Latim visto nas obras dos grandes escritores latinos como Cícero, César, Horácio, entre outros (o clássico), que chegou à Península, mas o Latim usado pelo povo (o vulgar).
•        No entanto, algumas povoações receberam diretamente a influência dos árabes que, vindos da parte da África, no século VIII, tentaram impor sua língua. Chegaram até a formar os moçárabes (misto árabe), mas sem muito sucesso.
•        Cerca de mil vocábulos de origem árabe ainda existem na língua portuguesa. Eles se caracterizam, de um modo geral, pelo prefixo AL (artigo definido árabe), como exemplo, podemos citar: álgebra – algibeira – álcool – alcatifa – alface – algarismo – alfazema – alcachôfra – almofada – alfafa – alfinete – algema – algodão – alqueire – etc.
•        A partir do século XV, a Língua Portuguesa é levada às regiões conquistadas, estendendo o seu domínio geográfico.
          Existiam, em Roma,  duas modalidades  acentuadamente distintas: o Latim Clássico, (conhecido como SERMO URBANUS, mais usado nas escolas ou Academias), e o Latim Vulgar, (conhecido como SERMO VULGARIS, sem se preocupar com as exigências gramaticais).
          Não podemos esquecer de outras modalidades desta preciosa língua: O BAIXO LATIM, falado pelos padres da Igreja da Idade Média, que se preocupavam com a formação moral de suas ovelhas; e o LATIM BÁRBARO, conhecido como o Latim dos copistas da Idade Média. Era um latim mesclado de vocábulos romances e provinciais.
          E qual a diferença entre o latim clássico e o vulgar? Esta, certamente, seria uma pergunta inevitável.  Pois bem!
          I - A primeira grande diferença a ser vista está justamente na fonética. Entre o povo, havia uma tendência geral de evitar os vocábulos proparoxítonos, transformando-os em paroxítonos. Por exemplo: a palavra ALEGRE era pronunciada no clássico ÁLACREM, enquanto no vulgar se pronunciava ALÁCRE; a palavra CADEIRA era CÁTHEDRAM, no latim clássico, e CATHÉDRA, no vulgar.
         II - Outra diferença era notada no Léxico, havendo a predominância de uso de vocábulos mais populares e afetivos com sufixos diminutivos, como podemos ver nos exemplos seguintes:
a)   A palavra IGNIS, que significa fogo, foi substituída por FOCU, com sentido de “fogo doméstico”, lar.
b)   A palavra AURIS, que significa orelha, foi substituída pela forma diminutiva AURÍCULA.
c)   A palavra EQUUS, que no latim clássico significava cavalo, foi substituído por CABALLU, que designava animal de trabalho e que tinha um certo cunho pejorativo.
d)   A palavra GENU (joelho), foi substituída por GENUCULU, transformando-se em GEOLHO, no português arcaico.
         III - Nota-se outra diferença entre o latim clássico e o vulgar, considerando-se a parte morfológica, havendo uma tendência para o uso de formas analíticas, conforme podemos ver a seguir:
a)   Enquanto no latim clássico se dizia LIBER, no latim vulgar usava-se ILLU ou LIBRU (o livro), ou UNU LIBRU (um livro)
b)   Encontramos uma diferença no uso das formas analíticas na voz passiva dos verbos. Por exemplo, o Presente do Indicativo passivo de AMARE (amar), era, no latim clássico, AMOR, enquanto no latim vulgar dizia-se AMATUS SUM (sou amado).
c)   Há ainda uma diferença, considerando-se  o uso das formas analíticas para os graus dos adjetivos. No latim literário, por exemplo,  ao comparativos e os superlativos eram formado de maneira sintética, ou seja, por sufixos. Assim, enquanto no latim clássico se dizia DULCIOR, enquanto que no vulgar dizia-se MAGIS ou PLUS DULCE (muito doce). A forma Magis teve predominância na Península Ibérica. Naturalmente, o superlativo seria DULCÍSSIMUS no latim clássico, enquanto no latim vulgar seria usado MULTU DULCE (muito doce), na sua forma analítica.
          IV – Há também diferença na sintaxe, ou seja, enquanto no latim clássico a função sintática das palavras na frase   era exprimida através  de desinências conhecidas como CASOS (veremos mais na frente), no latim vulgar procurava-se eliminá-las, evidenciando as relações entre as palavras por meio de preposições. Considerando a palavra LIVRO como sujeito (o livro), teríamos, no latim clássico LÍBER (nominativo), e no latim vulgar ILLU ou UNU LIBRU.
          No período clássico, o alfabeto latino contava vinte e três (23) letras: A-B-C-D-E-F-G-H-I-K-L-M-N-O-P-Q-R-S-T-U-X-Y-Z.
          Vale a pena lembrar que as letras Y e Z só apareciam em transcrições de palavras gregas. Por isso, muitos não as consideravam como letras latinas.
          Outro registro que queremos fazer é referente às vogais latinas: A-E-I-O-U. Elas são pronunciadas como em português. Já o Y tem o som aproximado ao U francês (tem um som entre o I e o próprio U, com o tradicional “biquinho” francês).
              -x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
LIÇÃO 01
          Durante a evolução do Latim para o Português vamos encontrar algumas alterações, que serão chamadas de METAPLASMOS. Lembramos que estas alterações são apenas fonéticas, com as palavras conservando seu significado. Esses Metaplasmos aparecem de quatro maneiras distintas:
a)   Por aumento (prótese, epêntese e paragoge);
b)   Por supressão (aférese, síncope, apócope e crase);
c)   Por transposição (metátese, hipértese, sístole e diástole);
d)   Por transformação (vocalização, consonantização, nasalização, assimilação, dissimilação, sonorização, palatização, assibilação, ditongação, redução, apofonia e metafonia).
Vejamos alguns exemplos:
Metaplasmos por Aumento
a)   Aumento por prótese: Stare  >  estar; Spiritu  >  espírito; Scutu  >  escudo.
b)   Aumento por epêntese: Stella  >  estrela; Humile  >  humilde; umeru  >  ombro.
c)   Aumento por paragoge: Ante  >  antes.
          Metaplasmos por Supressão
a)   Por aférese: Acume  >  gume; Attonitu  >  tonto; Episcopu  >  bispo; Horologiu > orologio > relógio; Apoteca > abodega > bodega.
b)   Por síncope: Legale  >  leal; Legenda  >  lenda;. Malu  >  mau; Bondadoso > bondoso; Tragicocomédia > tragicomédia; Formicicida  > formicida.
c)   Por apócope: Mare  >  mar; Amat  >  ama; Male  >  mal.
d)   Por crase: Pede > pee > pé; Colore > coor > cor; Nudu > nuu > nu; Outra+hora > outrora; De+este > deste; De+intro > dentro.
Metaplasmos por Transposição
a)   Por metátese: Pro  >  por; Semper  >  sempre; Inter  >  entre.
b)   Por hipértese: Capio  >  caibo; Primariu > primairo > primeiro; Fenestra > festra > fresta.
c)   Por sístole: Pantânu  >  pântano; Campâna  >  campa; Idólu  >  ídolo.
d)   Por diástole: Límite  >  limite; Pônere  >  ponere; Tênebra  >  tenebra.
Metaplasmos por Transformação
a)   Por vocalização: Nocte  >  noite; Regnu  >  reino; Multu  >  muito.
b)   Por consonantização: Iam  >  já; Iesus  >  Jesus; Uita  >  vida; Uacca  >  vaca.
c)   Por nasalização: Nec  >  nem; Mihi  > mim; Bonu  >  bom.
d)   Por desnasalização: Luna > lua > lua; Bona > bõa > boa; Ponere > põer > por.
e)   Por assimilação: Ipsu  >  isso; Persona > pessoa; Mirabilia > maravilha; Per+lo > pello > pelo; Auru > ouro; Lacte > laite > leite; Assibilare > assibiar > assobiar; Amam-lo > amam-no; Nostro > nosso; Persicu > pêssego; Captare > cattar > catar; Ipsa > essa.
f)     Por dissimilação: Liliu  >  lírio; Memorare > membrar > lembrar; Rotundo > rodondo > redondo; Aratru > arado; Cribru > crivo; Rostru > rosto.
g)   Por sonorização: Capio > caibo; Lupu > lobo; Sapui > soube; Civitate > cidade; Maritu > marido; Pacare > pagar; Aqua > água; Amicu > amigo; Aquila > águia; Vicinu > vizinho; Facere > fazer; Profectu > proveito; caballu > cavalo; Populu > pobo > povo.
h)   Por palatização: Vinea > vinha; Aranea > aranha; Seniore > senhor; Juniu > junho / Palea > palha; Folia > folha; Juliu > julho / Video > vejo; Hodie > hoje; Invidia > inveja / Pluvia > chuva; Implere > encher; Clave > chave; Flama > chama; Inflare > inchar / Oculu > oclo > olho; Apicula > apecla > abelha; Tegula > tegla > telha; Scopulu > scoplo > escolho / Pisce > peixe; Passione > paixão; Miscere > mexer; Russeu > roxo / Cerevisia > cerveja; Basiu > beijo; Ecclesia > igreja.
i)      Por assibilação: Capitia > cabeça; >Lentiu > lenço; Belitia > beleza; Ratione   > razão (o T se pronuncia C ou Z)/  Audio > ouço; Ardeo > arço / Lancea > lança; Minacia > ameaça; Judiciu > juízo; Gallicia > Galiza.
j)      Por ditongação: Malo > mao > mau; Sto > estou; Do > dou; Arena > área > areia.
k)   Por redução: Fructo > Fruito (forma arcaica) > fruto; Lucta  > luita (forma arcaica) > luta; Auricula > orelha.
l)      Por apofonia: In+aptu > inepto; In+barba > imberbe; Sub+jactu > sujeito.
m)          Por metafonia: Debita > dívida; Tosso (verbo tossir) > tusso; Cobro (verbo cobrir) > cubro; Tepidu > tíbio.
                       -x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
          No Latim temos seis casos, cada um deles com funções sintáticas distintas. Os seis casos são:
a)   NOMINATIVO, com a função sintática de Sujeito;
b)   VOCATIVO, com a função sintática do próprio Vocativo em português;
c)   GENITIVO, com a função sintática de Adjunto Adnominal Restritivo;
d)   DATIVO, com a função sintática de Objeto Indireto;
e)   ABLATIVO, com a função sintática de Adjunto Adverbial;
f)     ACUSATIVO, com a função sintática de Objeto Direto.
          É preciso observar que em Latim não se usa pronomes (singular ou plural), uma vez que a própria declinação já coloca o sujeito com seus respectivos complementos. Por exemplo:
         Puella est pulchra = A menina é bela
         Neste caso, Puella (menina) é o sujeito da oração e está no singular. Ora, se a palavra tem a função de sujeito, automaticamente ela está no Nominativo. Se está no Nominativo singular, sua terminação é A.
         Por outro lado, a palavra Pulchra (bela) é o adjunto Adnominal da oração e está concordando com MENINA, no singular. Logo, se ela é um Adjunto Adnominal, logicamente está no Genitivo. Se está no Genitivo singular, sua terminação é A.
          Vejamos, agora a mesma frase no plural:
          Puellae sunt pulchrae = As meninas são belas.
         Neste caso, a terminação do Nominativo Plural é AE. A mesma terminação vai para o Genitivo plural (AE).
          Bem! Você perguntaria: - Como vou saber a declinação
          Na primeira declinação, o Genitivo singular termina em AE.
          AS DECLINAÇÕES:
          Em Latim, existem cinco (5) Declinações.
          Todas as palavras que tem o GENITIVO singular em AE pertencem à Primeira Declinação. As desinências da 1ª Declinação são as seguintes:
          Nominativo singular   >   A            -         Nominativo plural   >   AE
          Vocativo singular        >  A            -          Vocativo plural        >  AE
          Genitivo singular        >  AE          -          Genitivo plural         >  ARUM
          Dativo singular           >  AE          -           Dativo plural            >  IS
          Ablativo singular       >  A             -           Ablativo plural        >  IS
          Acusativo singular   >  AM          -           Acusativo plural     >  AS
OBS.: Volte um pouco e dê uma lida nos casos e suas funções sintáticas, para que você entenda este caso com mais facilidade. Procure aprender bem os casos e as declinações.
A seguir, continuação desta aula com as outras declinações. Até lá!
FIM DA PRIMEIRA LIÇÃO
               -X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-
LIÇÃO 02
          Dando sequência ao nosso estudo, vamos conhecer as desinências da 2ª Declinação, cujo Genitivo singular termina em I. logo, qualquer palavra que traga essa desinência no genitivo singular, pertence à 2ª Declinação, como podemos ver nos exemplos: ROMANUS – Romani / LIBER – Libre / VIR – Viri / BELLUM – Belli.
          Você deve ter notado nos exemplos algumas palavras com terminações diferentes. É que existem um grande número de palavras da 2ª declinação que fazem o seu Nominativo em US (romanus-i; dominus-i; servus-i, etc.0
          No entanto, existe um número menor de palavras,  cujos nominativos terminam em ER, mas que também pertencem à 2ª declinação. São exemplos as palavras LIBER-libri; AGER – agri; PUER – pueri, etc.
•        Muitas palavras da língua portuguesa têm derivações prefixais latinas. Vejamos algumas:
•        Ab+dicar (do latim abdicare) = renunciar;
•        Ab+jurar (do latim abjurare) = jurar contra;
•        Abs+ter (do latim abstinere) = privar de alguma coisa;
•        Abs+trair (do latim abstrahere) = separar;
•        A+versão (do latim aversio) = grande repugnância; antipatia;
•        Ad+junto (do latim adjunctus) = próximo; unido;
•        Ad+venticio (do latim adventicius = que vem de fora; estranho.
•        VEJAMOS ALGUNS PREFIXOS LATINOS
•        Ab > (Separação; afastamento) Ab+duzir (abducere) = desviar; afastar.
•        Abs > (Separação; afastamento) Abs+conso (absconsus) = escondido; difícil de compreender;
•        A > (Separação; afastamento) A+nimar (animare) = dar vida; dar ânimo;
•        Ad > (Aproximação; direção) Ad+vogado (advocatus) = assistir, representar alguém;
•        Ar > Ar+rebanhar (rapinare) = ajuntar; reunir;
•        As > As+sentir (assentire) = consentir, concordar;
•        Ante >  (Anterioridade) Ante+braço (ante+brachium) = parte entre o cotovelo e o pulso;
•        Circum(n) > (Movimento em torno) Circun+vagar (circumvagare) = andar em torno; dar voltas;
•        Cis > (a maioria do grego KIS) > (Posição aquém) Cis+terna (cisterna) = reservatório para água.
•        OS RADICAIS LATINOS
•        AGRI > ager, agri > campo > agri+culto (tura);
•        AMBI >  ambo > ambos > ambi+destro;
•        ARBORI > arbor, oris > árvore > arborí+cola;
•        AVI > avis, avis > ave > avi+fauna;
•        BIS/BI > bis > duas vezes > bis+avô/bí+pede;
•        CALORI > calor, oris > calor > calorí+fero;
•        CRUCI > crux, ucis > cruz > cuci+fixo;
•        CURVI > curvus, a, um > curvo > curvi+líneo;
•        EQUI > aequuos, a, um > igual > equi+distante;
•        FERRI, O > ferrum, i > ferro > ferrí+fero / ferro+via;
•        IGNI > ignis, is > fogo > igní+vomo (vomita fogo)
•        LOCO > locus, i > lugar > loco+motiva;
•        MORTI > mors, mortis > morte > mortí+fero;
•        MULTI > multus, a, um > muito > multi+forme;
•        OLEI/OLEO > oleum, i > azeite, óleo > oleí+geno/oleo+duto;
•        ONI > omnis, e > todo > oni+potente / onis+ciente;
•        PEDI > Pes, Pedis > pé > pedi+lúvio;
•        PISCI > piscis, is > peixe > pisci+cultor;
•        PLURI > plus, pluris > muitos, vários > pluri+forme;
•        QUADRI/QUADRU > qualtuor > quatro > quadri+motor; quadrú+pede;
•        RADIO > radius, ii > raio > radio+grafia;
•        RETI > rectus, a, um > reto > reti+líneo;
•        SEMI > semi > metade > semi+circulo; semi+árido;
•        SESQUI > sesqui > um e meio > sesqui+centenário;
•        TRI > tres, tria > três > tri+color;
•        UNI > unus, a, um > um > uní+ssono;
•        VERMI > vermis, is > verme > vermí+fugo; vermi+cida.
     COMO SEGUNDO ELEMENTO DA COMPOSIÇÃO
•        CIDA > que mata > regi+cida; sui+cida;
•        COLA > que cultiva ou habita > vití+cola; arborí+cola;
•        CULTURA > ato de cultivar > api+cultura; pisci+cultura;
•        FERO > Que contém ou produz > aurí+fero; flamí+fero;
•        FICO > que faz ou produz > bené+fico; frigorí+fico;
•        FORME > que tem forma de > cunei+forme; flori+forme;
•        FUGO > que foge, que faz fugir > centrí+fugo; febrí+fugo;
•        GERO > que contém; que produz > armí+gero; belí+gero;
•        SONO > que soa > horrís+sono; unís+sono;
•        VORO > que come > carní+voro; herbí+voro.
•        OBS.: Na língua portuguesa, estas palavras recebem o nome de sufixos.
   -x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
•        VERBO SUM = SER (Verbo Irregular)
•        Sum – Es – Est – Summus – Estis – Sunt. (presente)
•        Eram – eras – erat – eramus – eratis – erant. (Imperfeito)
•        Ero – eris – erit – erimus – eritis – erunt. (Futuro do Imperfeito)
•        Fui – fuisti – fuit – fuimus – fuistis – fuerunt. (Perfeito)
•                  -x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
•        VERBO AMARE  = AMAR > 1ª conjugação
•        Amo – Amas – Amat – Amamus – Amatis – Amant. (Presente do Indicativo) AMO
•        Amabam – Amabas – Amabat – Amabamus – Amabatis – Amabant (Imperfeito) AMAVA
•        Amabo – Amabis – Amabit – Amabimus – Amabitis – Amabunt (Futuro do Presente) AMAREI
•        Amavi – Amavisti – Amavit – Amavimus – Amavistis –Amaverunt (Perfeito) AMEI – TENHO AMADO
•        VERBO LEGERE  =  LER  -  3ª conjugação
•        (Lego, is, legi, lectum, ere)
•        Lego – legis – legit – legimus – legitis – legunt (presente)
•        Legebam – legebas – legebat – legebamus – legebatis – legebant. (Imperfeito)
•        Legam – leges – leget – legemus – legetis – legent. (Futuro)
•        Legi – legisti – legit – legimus – legistis – legerunt. (Perfeito)
•        VERBO LAUDARE  =  LOUVAR (1ª Conjugação)
•        Laudo – Laudas – Laudat – Laudamus – Laudatis – Laudant. (Presente do Indicativo) - LOUVO
•        Laudabam – Laudabas – Laudabat – Laudabamus – Laudabatis – Laudabant. (Imp. do Indicativo) LOUVAVA
•        Laudabo – Laudabas – Laudababit – Laudabimus – Laudabitis – Laudabunt. (Fut. do Presente) LOUVAREI
•        Laudavi – Laudavisti – Laudavit – Laudavimus – Laudavistis – Laudaverunt. (Perfeito) Louvei / Tenho louvado.
OBS.: Outro fato que precisamos destacar é o não uso dos pronomes pessoais (eu – tu – ele(s) – nós – vós – eles) em alguns casos do  Latim, com o podemos notar nas conjugações dos verbos. Isso não significa dizer que eles não existem no Latim. Vamos conhecê-los!!!
          Em primeiro lugar, precisamos saber que o PRONOME é a palavra que substitui ou pode substituir o SUBSTANTIVO. Então, vamos conhecer os Pronomes Pessoais Latinos:
          SINGULAR
Nominativo                            EGO             -       TU                    (não tem)
Vocativo                                (não tem)     -       TU                   (não tem)
Genitivo                                 MEI                -       TUI               -    SUI
Dativo                                    MIHI               -       TIBI              -    SIBI
Ablativo                                ME                  -       TE                -    SE
Acusativo                            ME                  -       TE                -     SE ou SESE
          PLURAL
Nominativo                -        NOS                                    -   VOS                                    -  (não tem)
Vocativo                    -         (não tem)                          -   VOS                                    -  (não tem)
Genitivo                    -         NOSTRUM ou NOSTRI   -   VESTRUM ou VESTRI     -  SUI
Dativo                       -          NOBIS                               -   VOBIS                                 -  SIBI
Ablativo                   -          NOBIS                               -    VOBIS                                -  SE
Acusativo               -          NOS                                   -    VOS                                 -  SE ou SESE
Observações:
1 - Note que no singular e no plural do CASO RETO não existem  Vocativos nas 1ª e 3ª pessoas e Nominativo nas 3ª pessoas. Já no singular e no plural do CASO OBLÍQUO existem Pronomes em todos os casos.
Vejamos esses exemplos:
Me laudant = Louvam-me  >  Verbo transitivo direto.
Mihi parente = Obedecem-me  > Verbo transitivo indireto.
Veja que, em Português ME, TE, NOS, VOS servem para objetos diretos e indiretos. Em Latim, as formas são diferentes.
PRONOMES DEMONSTRATIVOS
Em Latim, os pronomes demonstrativos se apresentam nas formas: Masculino, Feminino e Neutro, como podemos ver no quadro seguinte:
MEU          -   MEUS           -     MEA           -     MEUM
TEU          -   TUUS            -     TUA            -      TUUM
SEU         -    SUUS           -     SUA             -      SUUM
NOSSO   -    NOSTER     -     NOSTRA     -     NOSTRUM
VOSSO   -    VESTER     -      VESTRA     -     VESTRUM
SEU        -     SUUS          -     SUA             -       SUUM
Preste atenção nestas expressões com a palavra IPSE (pronome demonstrativo): “IPSE CAESAR” (O próprio Cesar) – “TRIENNIO IPSO MINOR” (Justamente três anos mais moço).
O próprio – a própria – ele próprio – ela própria – eu próprio – tu próprio.
•        Vejamos alguns exemplos simples, para nos familiarizarmos com o Latim:
•        1 – Poeta linguam Graeciae amat. (O poeta ama a língua da Grécia). (Poeta linguam graeciae amat)
•        POETA está no nominativo singular. Logo, é o sujeito da oração. (o poeta)
•        LINGUAM está no acusativo. Logo, é o Objeto Direto da oração. (a língua)
•        GRAECIAE está no Genitivo singular. Logo, é o Adjunto Adnominal da oração. (da Grécia)
•        AMAT é o verbo da oração e está na 3ª pessoa do singular, referindo-se ao poeta.
•        OBS.: Geralmente, em Latim, o verbo vem no final da frase.
•        2 – Maria mater Jesu est. (Maria é a mãe de Jesus)
•                  Maria (suj.) / Mater (comp. nom.) / Jesu (comp. adnominal.)
•        3 – Agricolae amant campum. (os agricultores amam o campo)
•                 Agricolae (suj.) / Campum (obj. dir.) / Amant (verbo amare)
•        4 – Agricolas laudamos. (saudamos os agricultores)
•                 Agricolas (obj. dir.) Laudamus (verbo laudare)
•        5 – Victoriam nuntiamus. (anunciamos a vitória)
•                 Vitoriam (obj. dir.)  Nuntiamus (verbo nuntiare)
•        6 – Regina ancillarum. (ó rainha das escravas)
•                 Regina (vocativo)  Ancillarum (adj.adn.)
•        7 – Ancilla reginae. (ó escrava da rainha)
•                 Ancilla (vocativo)  Reginae (adj. Adn.)
•        8 – Regina nautarum. (ó rainha dos marinheiros)
•                  Regina (vocativo)  Nautarum (adj. Adn.)
•        9 – Poetae (dat.) victoriae (gen.). (ao poeta da vitória)
•                 Poetae (obj. ind.)  Victoriae  (adj. Adn.)
   -X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-
QUE TAL CANTARMOS O HINO NACIONAL BRASILEIRO EM LATIM!!!
•        HYMNUS BRASILIENSIS
                                    I
•        Audierunt Ypirangae ripae placidae,
•        Heroicae gentis validum clamarem,
•        Solisque libertatis flammae fulgidae,
•        Sparsere Patriae in caelos tum fulgorem.
•                  Pignus vero aequalitatis
•                  Possidere si poluimus brachio forti
•                  Almo gremio en libertatis,
•                  Audem sese offert  ipsi pectus morti!
•        O cara Patria, Amoris atria,
•        Salve! Salve!
•        Brasília, somnium tensum, flamma vivida,
•        Amorem ferem spemque ad orbis claustrum,
•        Si pulchri caele alacritate limpida,
•        Splendescit almum, fulgens, Crucis plaustrum.
•                  Ex propria gigas positus natura,
•                  Impavida, fortisque, ingensque moles,
•                  Te magnam praevidebunt jiam futura.
•        Tellus dilecta, Inter similia
•        Arva, Brasilia, Es Patria electa!
•        Natorum parens alma es inter lilia,
•        Patria cara, Brasilia
•        In cunis semper strata mire splendidis,
•        Sonante mari, caeli albo profundi,
•        Effulgie, o Brasilia, flos Americae,
•        A soli irradiata Novi Mundi!
•                     Ceterisque in arbe plagis
•                     Tui rident agri florum ditiores;
•                      “Tenent silvae en vitam magis,
•                     Magis tenet tua sinu vita amores.”
•        O cara Patria, amoris  atria,
•        Salve! Salve!
•                       Brasilia, aeterni amoris fiat  symbolum,
•                       Quod affers tecum, labarum stellatum.
•                       Em dicat aurea viridisque flammula
•                       Ventura pax decusque superatum.
•        Si vero tollis Themis clavam fortem,
•        Non filios tuos videbis vacillantes,
•        Aut, in amando te, timentes mortem.
•                    Tellus dilecta, Inter similia
•                    Arva, Brasilia, es Patria electa!
•                    Notorum parens alma es inter lilia,
•                    Patria cara, Brasilia!


FIM DA AULA 02  -  
ATÉ A PRÓXIMA AULA!
                                                                                           

quarta-feira, 18 de maio de 2011

POR QUE O PALÁCIO DO PLANALTO NÃO DEIXA MINISTRO IR À CÂMARA SE DEFENDER?

O BRASIL QUER SABER SE PALOCCI É CULPADO OU INOCENTE!

O PT tem se esforçado ao máximo para evitar a ida do Ministro Antônio Palocci ao Plenário do Congresso Nacional, a fim de esclarecer alguns fatos que o colocam numa situação delicada. Já ficou provado, e isso não é de agora, que “quem não deve não teme”. Ora, por que o Palácio do Planalto está tão temeroso? O que há por trás de tudo isso? Por que o ministro não se propõe a enfrentar a verdade?
No primeiro dia de forte ofensiva da oposição para levar ao Congresso o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a prestar explicações públicas sobre o seu aumento patrimonial, a base do governo usou sua força e conseguiu evitar um possível constrangimento ao ministro.
Apesar dos esforços, a oposição não conseguiu aprovar no plenário da Câmara dos Deputados dois requerimentos para tentar chamar o ministro à Casa. O objetivo é obter esclarecimentos de Palocci sobre o aumentou em até 20 vezes de seu patrimônio desde 2006, conforme publicou o jornal Folha de S. Paulo no domingo .
O tema foi levado a plenário depois da manobra do governo, com o apoio da vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), de abrir os trabalhos por volta das 10h. Isso impediu o funcionamento das comissões, já que o regimento interno da Casa não permite deliberações enquanto há votações no plenário.
Havia requerimentos para chamar Palocci a três comissões, de Fiscalização e Controle, Agricultura e Finanças e Tributação, que ficaram inviabilizados.
Apesar da estratégia usada no Congresso, o governo adotou o silêncio sobre o caso nesta quarta, 15 de maio. No dia em que foi publicada a reportagem, o ministro divulgou nota afirmando que toda sua evolução patrimonial consta em declaração de Imposto de Renda.
Na terça-feira, houve mais uma tentativa de aclarar as informações sobre o patrimônio do ministro e a sua empresa, a Projeto. A Casa Civil enviou nota por email a senadores sobre o funcionamento da empresa.
Além disso, o comunicado cita o nome de outros ex-ministros e ex-diretores do Banco Central que também se tornaram consultores e diz que passar pelo Ministério da Fazenda e BC propicia experiência e dá 'enorme valor'.
A estratégia não deu resultado e acabou alimentando o noticiário desta quarta e mantendo vivas as acusações contra Palocci. Um assessor do Palácio disse à Reuters, sob a condição de anonimato, que o email não deveria ter sido distribuído a todos os senadores. Contudo, a fonte não explicou qual era o objetivo inicial do governo.
Nesta quarta, membros do governo e líderes aliados expressaram controle da situação, mas evitaram comentar hipóteses e possíveis desdobramentos do caso.
'Externamente tem muito barulho, mas internamente quase nenhum', resumiu o ministro da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho. Segundo ele, a presidente continua apoiando integralmente o ministro e confia nas suas explicações.
FATOS NOVOS
Mas, apesar da aparente tranqüilidade dos aliados do ministro, existem preocupações, no entanto, com o aparecimento de fatos novos que podem colocar o ministro na berlinda, como a divulgação do nome de alguma empresa que tenha contratado os serviços de consultoria de Palocci ou ainda a divulgação do faturamento da empresa. 'Talvez falte a divulgação da lista de clientes, mas por que ele tem que fazer isso?', questionou Carvalho.
Perguntado sobre esses possíveis desdobramentos, o vice-presidente Michel Temer reafirmou sua confiança em Palocci, mas disse que 'não tem conhecimento de detalhes' sobre as atividades da consultoria Projeto. 'Eu conversei hoje (quarta) com o ministro Palocci e ele me pareceu, pelo menos ao telefone, muito tranquilo', disse o vice. Segundo Temer, porém, o chefe da Casa Civil não demonstrou interesse em fazer qualquer esclarecimento adicional.
A oposição, contudo, promete voltar à carga para buscar mais informações. 'Nós não vamos abrir mão do nosso direito de tentar convocar o ministro Palocci para dar explicações no Congresso Nacional', disse o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (PT).
O líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), se mostrou tranquilo e disse que o governo derrotará a oposição nas comissões em que o requerimento for apresentado, 'assim como fizemos no plenário'.
Cada vez que os amigos do ministro falam a respeito do episódio, fica mais claro de que há algo a se esclarecer. Sabe-se, no entanto, que as declarações dos petistas não oferecem credibilidade. É que eles são suspeitos para apresentarem defesas e suas palavras não convencem. A única maneira de se mostrar a verdade seria o ministro enfrentar a “corte” do Congresso, sem nenhum temor ou tremor.
Se o ministro Antônio Palocci teimar em se esconder, colocando em sua defesa amigos íntimos, não convencerá o Brasil de sua integridade moral. Quem se nega a enfrentar uma Comissão de Ética ou coisa semelhante, com certeza está assinando o seu atestado de MEA CULPA.

terça-feira, 17 de maio de 2011

UM REGISTRO PREOCUPANTE PARA OS PAISES DEMOCRÁTICOS

UMA AMEAÇA À DEMOCRACIA BRASILEIRA


UMA AMEAÇA À DEMOCRACIA BRASILEIRA

ENFIM, ACABARAM COM O PIOR ASSASSINO DO MUNDO!!! JÁ FOI TARDE!!!

UMA GRATA HOMENAGEM ÀQUELE QUE ELIMINOU ESTE INDIVÍDUO, CUJO NOME NEM MERECE SER CITADO!

MAIS UMA INVESTIDA DO PARTIDO DA ÉTICA E DA MORAL - UM PÉSSIMO EXEMPLO PARA A DEMOCRACIA

PARA A REFLEXÃO DOS POUCOS HOMENS DE CARÁTER

NOVA IORQUE ENSINA COMO AGE UMA JUSTIÇA DE VERDADE!
Com aparência sombria e pensativa, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, ouviu em uma corte nova-iorquina que não terá direito a fiança e seguirá detido. Ele está preso desde o sábado acusado de agressão sexual, cárcere privado e tentativa de estupro.
Conhecido como DSK, o diretor-gerente do FMI posou sem sorrir para o fotógrafo oficial da corte, enquanto jornalistas anotavam cada detalhe de sua aparição judicial. Pouco antes de sua audiência, ele foi levado da corte e, quando a porta da sala abriu, os repórteres puderam ver a cela onde ele ficou detido. Não é um cenário comum para um membro da elite econômica mundial, cuja instituição empresta dinheiro a países em crise.
O diretor-gerente do FMI se manteve impassível enquanto ouvia os promotores dizerem que a suposta vítima fez uma detalhada descrição das acusações e que exames hospitalares até então confirmavam a história dela. DSK também ouviu atentamente quando promotores sugeriram que esta não era a primeira vez em que se questionava o comportamento sexual dele.
Os promotores argumentaram, ainda, que a maneira como Strauss-Kahn tentou sair dos EUA, no sábado, mostra que ele estava com pressa de voltar à França - e que, portanto, deveria permanecer preso sem direito a fiança. DSK foi detido no sábado à tarde, quando já estava sentado na primeira classe de um avião da Air France prestes a decolar para Paris.
Strauss-Kahn vestia um sobretudo preto e uma camisa clara, em contraste com os jeans e moletons usados pelos demais réus com quem o diretor do FMI dividiu a Corte Criminal de Manhattan nesta segunda-feira. A defesa insistiu que DSK não estava tentando fugir e que nem tentaria fazê-lo se recebesse direito à fiança, já que o diretor do FMI tem interesse em limpar seu nome. Mas a juíza Melissa Jackson decidiu mantê-lo preso até a próxima audiência, em 20 de maio. DSK, que era aguardado nesta semana em reuniões-chave sobre as crises de dívida em países europeus, passará seu tempo em vez disso sob custódia da Justiça nova-iorquina.
ENQUANTO ISSO... NO BRASIL...
A oposição (E O POVO BRASILEIRO) quer esclarecimentos sobre o crescimento do patrimônio do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, e vai tentar convocá-lo para dar explicações na Câmara dos Deputados ou até pedir que o Ministério Público investigue a possibilidade de enriquecimento ilícito.
“Vamos dar um prazo para que ele se explique até amanhã (terça). Caso contrário, vamos entrar com um pedido de investigação por enriquecimento ilícito no Ministério Público”, disse o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), que considera insuficientes as explicações dadas até agora.
Segundo o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), o que ficou definido foi o pedido de explicações do ministro à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara. Torres avalia que dificilmente a oposição conseguirá aprovar um requerimento para chamar Palocci ao Congresso e, por isso, aposta na linha da investigação criminal para esclarecer as denúncias.
Já o PPS, também de oposição, declarou, em nota, que acionará a Procuradoria Geral da República pedindo a abertura de inquérito para investigar 'suposto enriquecimento ilícito' de Palocci. O ministro foi alvo de acusações, publicadas no domingo pelo jornal Folha de S. Paulo, de que seu patrimônio teria aumentado 20 vezes desde 2006. Em nota, Palocci afirmou que sua 'evolução patrimonial, pessoa física, consta de sua declaração de renda'.
A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu que o crescimento patrimonial do ministro não será investigado.
“Não há no momento o que apurar... Não cabe à Comissão indagar como cada ministro chegou ao patrimônio que revela ao tomar posse”, disse o presidente da Comissão, Sepúlveda Pertence, após reunião do grupo no Palácio do Planalto.
A posição da Comissão foi considerada suficiente pelo governo, disse o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Ele ressaltou que Palocci, a quem caracterizou como 'peça fundamental' no governo, teria cumprido 'rigorosamente' os procedimentos para assumir a Casa Civil. 'O governo está satisfeito com o pronunciamento da Comissão de Ética', disse Carvalho a jornalistas. 'A Comissão de Ética encerra para nós essa questão'.
Palocci recebeu apoio também do PT, que considerou a questão esclarecida junto à Presidência. 'Nós temos total confiança no ministro Palocci, na sua lisura e no seu comportamento ético', disse o presidente da legenda, deputado Rui Falcão (SP), em São Paulo. De acordo com Falcão, a evolução patrimonial é decorrente de consultorias dadas por Palocci.
MINISTRO INFLUENTE
Palocci é visto pelo mercado financeiro como um grande defensor da estabilidade fiscal e das políticas econômicas ortodoxas no governo da presidente Dilma Rousseff. Além da posição que ocupa de ministro da Casa Civil, Palocci mantém uma relação próxima com a presidente, o que o tornou uma figura influente no governo.
Segundo uma fonte do Planalto, que pediu para não ser identificada, ele não deve dar explicações adicionais à nota divulgada. Sobre a possibilidade de comparecer à comissão da Câmara, a fonte disse que o ministro só irá se pronunciar se o convite for aprovado. De acordo com a fonte, a presidente já foi informada sobre as acusações e disse para o ministro 'ficar tranqüilo'. A ordem na Casa Civil é trabalhar normalmente e esperar a poeira baixar sem dar combustível para a oposição e, com isso, tentar fazer o assunto cair no esquecimento.
Para o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, do ponto de vista formal a nota esclarece, mas como o ministro é um homem público espera-se que ele esclareça 'quais os ganhos que a empresa teve'. 'Tem que mostrar de onde veio o dinheiro', afirmou. No fim da tarde, o PSDB anunciou que entrará com requerimento na Comissão de Fiscalização da Câmara para que Palocci seja convidado a esclarecer as atividades da Projeto, empresa citada na reportagem.
O ministro Palocci disse em nota que a Projeto foi aberta em 2006 para prestar serviços de consultoria econômico-financeira, atividade que realizou até 2010. 'Em dezembro último, as atividades de consultoria foram encerradas por força da função ministerial a que se dedica hoje', disse na nota.
Após a publicação da reportagem, Palocci telefonou para o ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, e disse ter encaminhado para a Casa Civil sua declaração de Imposto de Renda e informado ao Conselho de Ética a situação legal e patrimonial da Projeto. O repasse destas informações é obrigatório para ocupantes do primeiro escalão.
EX-MINISTRO E MINISTRO DE NOVO
O jornal não acusou Palocci diretamente de corrupção, mas forneceu amplos detalhes sobre o rápido crescimento de seu patrimônio durante seu mandato na Câmara dos Deputados. O ministro, segundo o jornal, comprou dois imóveis por meio da empresa Projeto. Um apartamento em São Paulo de 6,6 milhões de reais e uma sala comercial de 882 mil reais, ambos adquiridos antes de assumir o cargo no governo Dilma.
Em 2006, Palocci também enfrentou turbulências políticas e deixou o governo após ser envolvido na denúncia de quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Sua situação ficou insustentável depois que o caseiro testemunhou em uma CPI afirmando que Palocci freqüentava a chamada casa do lobby, ou República de Ribeirão Preto. A casa, em Brasília, freqüentada por ex-assessores, era apontada como local de organização de lobby junto ao governo federal.
Mesmo assim, o ex-ministro se candidatou à Câmara e foi eleito. No Congresso, tentou manter a discrição e presidiu a Comissão Especial da Reforma Tributária. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal livrou Palocci de processo sobre a violação. No ano passado, o ministro desistiu de concorrer à reeleição parlamentar para se dedicar à coordenação da campanha de Dilma.
E assim, o partido da ética e da moral, continua blindando os seus militantes corruptos, enquanto persegue os que não comungam com sua pálida filosofia moralista.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

BRASIL: UM PAÍS DE INJUSTIÇA SOCIAL

DIANTE DOS FATOS QUE VEREMOS A SEGUIR, FICO A PENSAR COMO UM POVO TÃO SOFRIDO E TÃO INJUSTIÇADO DÁ UM ÍNDICE DE 85% DE APROVAÇÃO A UM PRESIDENTE. OU A MÍDIA É MENTIROSA, OU VIVEMOS NUM PAÍS DE 85% DE IMBECIS.

LEIA COM ATENÇÃO E FAÇA UMA REFLEXÃO SOBRE ESTA VERDADE QUE POUCOS CONHECEM.

Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata !

Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.

Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda uma Região Militar ou uma grande fração do Exército.

Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro do que ganha um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.

Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.

O SUS paga a um médico, por uma cirurgia cardíaca com abertura de peito, a importância de R$ 70,00, equivalente ao que uma diarista cobra para fazer a
faxina num apartamento de dois quartos.

PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM CHOQUE DE MORALIDADE NOS TRÊS PODERES DA UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS, ACABANDO COM OS
OPORTUNISMOS E CABIDES DE EMPREGO.

OS RESULTADOS NÃO JUSTIFICAM O ATUAL NÚMERO DE SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS, ESTADUAIS
E VEREADORES.

TEMOS QUE DAR FIM A ESSES "CURRAIS" ELEITORAIS, QUE TRANSFORMARAM O BRASIL NUMA
OLIGARQUIA SEM ESCRÚPULOS, ONDE OS NEGÓCIOS PÚBLICOS SÃO GERIDOS PELA BRASILIENSE COSA NOSTRA

O PAÍS DO FUTURO JAMAIS CHEGARÁ A ELE SEM QUE HAJA RESPONSABILIDADE SOCIAL E COM OS
GASTOS PÚBLICOS.

JÁ PERDEMOS A CAPACIDADE DE NOS INDIGNAR. PORÉM, O PIOR É ACEITARMOS ESSAS COISAS, COMO SE TIVESSE QUE SER ASSIM MESMO, OU QUE NADA TEM MAIS JEITO.

VALE A PENA TENTAR. PARTICIPE DESTE ATO DE REPULSA.

terça-feira, 5 de abril de 2011

QUEM TEM MEDO DE 31 DE MARÇO? ONDE ESTÁ A VERDADE?


REGIME MILITAR: O OUTRO LADO DA HISTÓRIA
PALAVRAS INICIAIS
Todas as ações causam reações e os fatos não ,acontecem sem que haja um motivo. E ao resultado das reações chamamos de conseqüências. Estas podem ser agradáveis ou não, dependendo do que queremos ou pensamos. No caso da Revolução de Março de 1964, alguns fatos precisam ser levados ao conhecimento de muitos que ainda os desconhecem. Precisamos até lembrar àqueles de curta memória, que o comunismo não era nada de extraordinário. Ele já existia desde os tempos de Getúlio Vargas, mas queimava por baixo, de mansinho, procurando uma oportunidade para “dar as cartas”.
Temos visto ao longo dos anos, a revolta de muitos diante da ação dos militares, cujas conseqüências foram abomináveis em quase toda a sua totalidade. Mas será que o golpe militar foi 100% negativo? Será que não ficou nada de bom em todo o seu trajeto? O Regime Militar foi cruel assim ao ponto de sacrificarmos uns e endeusarmos outros? Por que a imprensa tem tanto medo de mostrar o outro lado da história? Por que muitos se acovardam quando se faz necessário dizer a verdade?
Talvez tenhamos esquecido de que muitos dos que se tornaram “heróis”, não passaram de meros aproveitadores de uma situação que poderia ter apresentado um resultado bem diferente, sem a necessidade de tantas atrocidades. Precisamos lembrar que alguns que comandavam a ofensiva contra a ditadura militar, são os mesmos que, hoje, andam de braços dados com outras ditaduras bem mais opressivas do que a ditadura militar vivida pelo Brasil por duas décadas.
Para provarmos o que afirmamos, sem medo e sem covardia, diga-se de passagem, vamos rememorar fatos que nos deixaram estarrecidos. Por exemplo, como se sentiram os brasileiros vendo um presidente abraçado com Fidel Castro, Evo Moralez e Hugo Chaves, os piores ditadores da história moderna? Dá-nos nojo saber que os que se diziam defensores da democracia, não passavam de falsificadores da moralidade nacional. Infiltrar o comunismo no Brasil era, acima de tudo, uma prova de infidelidade aos princípios democráticos.
Foi a partir deste pensamento realista, sem fantasias, que resolvi mostrar os fatos com seriedade e sem quaisquer vínculos com partidos políticos ou coisas parecidas. Entristece-me ver uma imprensa tendenciosa, pronta a mostrar um lado da história para ser simpática com determinados grupos. Assim como milhões de brasileiros, vivi os anos da ditadura e nunca fui torturado e nem impedido de fazer o que tinha vontade. Ao contrário, sempre me senti bem à vontade e muito seguro, sem o trauma dos seqüestros, do banditismo e da violência que hoje assusta o país.
OS FATOS COM TRANSPARÊNCIA E CORAGEM
É difícil convencer alguém à seguinte reflexão:
I - O golpe militar de 31 de março de 1964 foi um acontecimento necessário, considerando-se o seu propósito maior, ou seja, a consolidação da nossa democracia.
II – O comodismo diante do perigo da infiltração comunista no país seria uma subserviência a um regime de governo opressor.
III – Abominam-se as atitudes drásticas que ceifaram a vida de milhares de pessoas, inclusive militares, nunca lembrados nas reportagens atuais.
IV – Aqueles que insuflaram o movimento anti-revolucionário, são os que hoje se acham beneficiados, inclusive sendo mostrados como heróis da resistência nas atuais campanhas eleitorais.
V – Que o lado que a imprensa teima em manter no esquecimento, trouxe-nos resultados positivos, o que não teria sido possível com a implantação do comunismo.
O COMEÇO DE UMA NOVA HISTÓRIA
A história do Golpe Militar de 31 de março de 1964, não se limita aos fatos ocorridos no auge da revolução. Para entendê-la melhor faz-se necessário voltar um pouco no tempo e chegarmos até as comemorações do Dia do Soldado, em agosto de 1961, quando o então presidente Jânio Quadros anunciava a sua renúncia com estas palavras:
“Senhores ministros: Esta reunião se destina a dar-lhes conhecimento de assunto da mais alta gravidade. Acabo de renunciar ao cargo de Presidente da República. Não posso governar com este Congresso. Os senhores organizem uma junta e assumam o poder. O ministro Pedroso Horta irá entregar a carta que efetiva este ato, às quinze horas, para lhes dar tempo de tomarem as medidas necessárias para acautelar a ordem pública.”
Os apelos dos comandantes Sylvio Heck, da Marinha, e Denys, do Exército, não foram suficientes para que ele, Jânio, culminasse o seu anúncio afirmando: “Daqui passarei pelo Alvorada para apanhar minha bagagem, que já está pronta. De agora em diante é com os senhores.” Coloca-se diante de nós a certeza de que tudo já estava preparado e que a renúncia não fora uma decisão impensada. Houve, podemos assim dizer, um
Ninguém entenderia ao certo o que levara Jânio Quadros a tomar esta decisão, depois de presidir as cerimônias do Dia do Soldado. Naquela oportunidade, ele agira de forma natural, entregando condecorações e assistindo ao desfile militar. O que realmente estaria acontecendo nos bastidores do Congresso Nacional? Nas mãos de quem estaria o futuro do Brasil naquele momento? Qual seria a reação do povo brasileiro ao tomar conhecimento da renúncia de Jânio Quadros? Na verdade, a situação política do Brasil estava insustentável e representava um sério perigo para a nossa democracia.
Aqui começa a verdadeira história do Golpe Militar, que culminou três anos depois. É um capítulo da nossa história que não se conta. É que, para muitos, trata-se de um lado podre da política nacional, que não se deve contar aos jovens de hoje. O importante, na realidade é tornar muitos “terroristas” em mártires de uma revolução, cujo objetivo era evitar a infiltração do comunismo no Brasil. Incoerência ou não, a verdade é que não se pode admitir que comunistas lutassem pela democracia.
No governo do povo, para o povo e pelo povo, onde as liberdades de pensamento, a liberdade de expressão e a liberdade religiosa são fatores primordiais para a sobrevivência de uma democracia, o comunismo não aparece como solução. A grande verdade é que o comunismo nos priva desses direitos. Exemplo disso podemos ver em países onde ele manda e desmanda, castrando a liberdade social, política, cultural e religiosa. Entregar nas mãos dos comunistas o destino da Nação era algo que não agradaria aos que não poderiam se desvincular dos seus direitos conquistados ao longo da nossa história.
Com a renúncia de Jânio, que chegou a sugerir a formação de uma junta para assumir o governo, Ranieri Mazzilli, então presidente do Congresso, deveria assumir os destinos da Nação. Era necessário manter o país dentro de uma calmaria, mesmo que esta fosse aparente, ou uma farsa, como desejarem. Mas a renúncia de um presidente não acontece do dia para a noite. Ela é resultado de pressões daqueles que, nas caladas das noites, promovem movimentos sórdidos, em busca de resultados para seus interesses particulares. E isso eles tentam a qualquer preço, até mesmo pelo preço da traição.
O Movimento comunista começava a se propagar, através de pessoas infiltradas no meio operário, entre os homens do campo e, principalmente, entre os estudantes, sensibilizando-os e influenciando-os para um movimento que culminaria com a desestruturação da ordem pública. E o “veneno” começava a fazer efeitos trágicos, levando o país a um caos político e social. Promessas mirabolantes eram colocadas diante deles, fazendo-os acreditar nas fantasias comunistas.
Fazia-se necessária uma cautelosa organização do movimento que eclodiria no dia 31 de março de 1964. Em Minas Gerais, mais precisamente em Juiz de Fora, as reuniões se tornavam cada vez mais frequentes. O coronel João Batista da Costa, chefe do EMR, chegou a perguntar ao General Olímpio Mourão Filho qual seria a finalidade do movimento, recebendo deste a seguinte resposta: “Para o restabelecimento do respeito à Constituição e salvaguarda de nossas tradições.” O coronel se prontificou dizendo: “Conte comigo, General Mourão, estou disposto a combater e morrer a seu lado.”
O movimento teve início no dia 30. Nesta reunião, em Juiz de Fora, o general Mourão, chegou a sugerir o dia 1º de abril para o golpe militar, alegando que ainda aguardava vários esclarecimentos. Ele recebeu do general Carlos Luis Guedes a seguinte resposta: “Não serve; é data que ninguém toma a sério. Em minha opinião estamos perdendo um tempo talvez decisivo; cada dia vale por dois – um ganho por Jango, outro perdido por nós, que já devíamos ter partido desde sexta-feira.”
Pelo desenrolar da história, o golpe militar de 31 de março não foi um movimento mal planejado. A preocupação diante de atitudes tomadas no governo de João Goulart ia tornando cada vez mais premente a necessidade de uma tomada de decisões, mesmo que isso representasse uma insatisfação para alguns, até mesmo de oficiais das Forças Armadas, que não comungavam com o pensamento dos idealizadores da revolução.
APROXIMAVA-SE O DIA 31 DE MARÇO
O dia 31 se aproximava e todos os detalhes eram decisivos para a eclosão do movimento revolucionário. As reuniões passaram a ser realizadas com mais freqüência e no dia 28 todos os comandantes das unidades se reuniram para estudarem os assuntos que, segundo eles, eram de suma importância para o sucesso de suas pretensões.
Estavam em pauta a mobilização geral da Polícia Militar; a coordenação com a Quarta Região Militar; o apoio de grupos e classes; o apoio do governo de Minas Gerais; armamento e equipamento; a aplicação dos planos já elaborados e a indicação de suspeitos a serem detidos.
No dia 29 foi realizada outra reunião, desta feita no gabinete do comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais. Ficou determinado que seria suspenso o curso de aperfeiçoamento de oficiais, com o recolhimento dos capitães-alunos às suas respectivas unidades. Foram suspensas também todas as licenças-prêmio e férias anuais. Na mesma reunião ficou decidido:
a) expedir mandado às unidades para se colocarem em ordem de marcha, com o recolhimento dos destacamentos e a suspensão do policiamento “Cosme e Damião”;
b) determinar à diretoria-geral das escolas de recrutas relativa tolerância para a incorporação;
c) recolher os delegados especiais;
d) promover a atualização dos endereços do pessoal da reserva para convocação;
Eram 10 horas da manhã do dia 29 de março quando o Estado-Maior Geral expediu as ordens de operações 1 e 2. Pela operação 1, todas as unidades e serviços da PM deveriam manter-se em rigorosa prontidão e já mobilizados. Também todos os destacamentos, contingentes e postos policiais deveriam recolher-se, permanecendo nos, pontos vitais. As unidades mobilizadas deveriam compor-se de 3 companhias de fuzis, de 170 homens cada, uma companhia de metralhadoras pesadas, leves ou mistas, de 134 homens.
A Operação 2 determinava, entre outras coisas, o isolamento do Estado de Minas Gerais, ficando a tropa em condições de atuar em várias direções. Determinava também que várias unidades integrassem os diversos destacamentos, com tropas do exército ou não. Tudo corria normalmente, restando apenas a ordem de execução. Os depósitos e postos de combustíveis seriam ocupados e haveria reforços no policiamento das barreiras e pontos de extrema importância. A ocupação imediata de Três Marias também seria ordenada.
Às 14 horas do dia 30 de março de 1964, o comandante, general Carlos Luis Guedes determinou a realização de uma reunião de oficiais e sargentos. Na oportunidade, todos ficaram sabendo que o movimento acabara de eclodir. O general Guedes anunciou:
“Minas está rebelada, com a minha concordância e integral apoio; a partir deste momento, nos desligamos do Governo Federal e passamos a constituir força autônoma integrada na Revolução; não nos conformamos em assistir, passivamente, ao desenrolar de acontecimentos que, fatalmente, nos conduzirão à anarquia e ao caos. Desejo agora ouvir os senhores.”
Notava-se, pelo semblante de cada um, que aquela decisão era desejada por todos. A sorte estava lançada e a partir dali, todas as medidas que a situação exigia foram adotadas de forma imediata e, consequentemente, postas em execução. Foram convocados outros oficias, além dos oito existentes, para a constituição do Estado-Maior Revolucionário.
Mas nem todos acreditavam que a Revolução seria um sucesso absoluto. O general Castelo Branco, por exemplo, em conversa telefônica com o general Guedes, disse para ele ser cuidadosa para não ser massacrado, chegando a sugerir que eles voltassem, mas o general Guedes respondeu que não voltariam e que iriam até o fim.
Outro fator preocupante era a posição tomada pelo governo do Estado de São Paulo. Até o meio-0dia de 31 de março, São Paulo não se manifestara e isso contrariava as expectativas dos revolucionários
O presidente João Goulart, que decidira pela esquerda, recebia o general Kruel que, para ficar ao lado de Jango, pediu que este demitisse Abelardo Jurema, Darcy Ribeiro e considerasse ilegais CGT, PUA, FORUM SINDICAL, UNE, entre outros. Somente desta forma ele, Kruel levaria o II Exército em defesa do seu governo. Em reposta, Jango bastante agitado, gritava que, primeiro iria esmagar Minas, para depois ver o que deveria fazer. Mas a situação não lhe era favorável e, dizendo que ia organizar a resistência, seguiu para Brasília, onde apanhou dez milhões de dólares guardados em sacos e fugiu.
Há fatos que, por mais que tentemos, não conseguimos entender. Na época da deflagração do golpe militar, eu tinha meus 23 anos, idade suficiente para analisar situações. Aceitar o regime comunista nunca esteve em meus planos. Por isso, sempre torci para que o golpe militar tivesse êxito, não com o desfecho trágico, com torturas e mortes. Sempre achava que o exílio seria um bom castigo para aqueles que, direta ou indiretamente, contribuiriam para a implantação do comunismo no Brasil.
Eu não entendia por que aquela gente lutava contra a ditadura militar, ao mesmo tempo em que defendia a ditadura comunista, muito mais nociva aos princípios democráticos. Até achava que muitos que assim agiam estavam sendo manipulados por pessoas inescrupulosas, que visavam tão somente a proliferação da anarquia, estimulados pela chamada “imprensa marrom”, financiada pelo símbolo da foice e do martelo. O brasileiro de verdade, acostumado aos direitos que lhe eram reservados, jamais vestiria a “camisa vermelha” da opressão comunista.
Não estava nos meus planos ver meus filhos manipulados por um regime mesquinho, que delicera a integridade moral do cidadão. Não participei de nenhum movimento político. O golpe militar não me atraiu por optar por torturas e mortes. O movimento anti-revolucionário não passava de uma ganância de uma dúzia de subversivos travestidos de “salvadores da pátria”. Melhor seria olhar de longe, esperando uma terceira opção.
Espero que a imprensa livre e imparcial tenha a coragem de mostrar aos brasileiros de hoje o outro lado da moeda. Por exemplo, ter a hombridade de relatar o que de positivo ficou ao longo dos 24 anos de ditadura militar. Seria ótimo mostrar a quantidade de assaltos, seqüestros, greves depredadoras, invasões criminosas do MST existentes naquele período. Assim poderemos fazer uma análise mais profunda e bem mais responsável do movimento de 31 de março de 1964.